Infância e juventude
Casa onde Joseph Ratzinger nasceu em 1927,
Marktl am Inn no sudeste da Baviera: Mauthaus.
Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, uma pequena vila na Baviera, às margens do rio Inn, naAlemanha, filho de Joseph, um comissário de polícia (Gendarmeriekommissar) do Reich, um oficial da polícia rural oriundo da Baixa Baviera e adepto de uma corrente bávaro-austríaca de orientação católica.[5]Seu pai, era de religiosidade profunda e um decidido adversário do regime nacional-socialista, as suas idéias políticas firmes chegaram a trazer sérios perigos para a própria família.[5][6] Em 1941, um dos primos de Ratzinger, um menino de catorze anos de idade com Síndrome de Down, foi morto pelo regime Nazi em sua campanha eugênica.[6] A sra. Ratzinger, Maria, falecida em 1963, era de procedência tiroleza, do sul da Alemanha, era tida por boa cozinheira e havia trabalhado em pequenos hotéis. O casamento ocorreu em 1920, os filhos Maria e Georg nasceram em 1921 e 1924, Joseph nascera num Sábado de Aleluia e fora batizado no dia seguinte, domingo da Páscoa. A família não era pobre no sentido literal do termo, mas os pais tiveram de fazer muitas renúncias para que os filhos pudessem estudar.[7] Em 1928 a família mudou-se para Tittmoning, na época um lugarejo de cinco mil habitantes, às margens do rio Salzach na fronteira austríaca.[8] Em 1932 a família mudara-se novamente, agora para Aschau, de novo às margens do Inn, um povoado próspero -já que em Tittmoning Ratzinger-pai havia se mostrado demasiado contrário aos nazistas.[5][8] Aqueles assumiram o poder em 30 de janeiro de 1933 quando Hindenburg nomeou Hitler chanceler, nos quatro anos em que a família Ratzinger passou em Aschau o novo regime limitou-se a espionar e a ter sob controle os sacerdotes que se lhe mostravam hostis, Ratzinger-pai não só não colaborou com o regime como ajudou e protegeu os sacerdotes que sabia estarem em perigo. Já em 1931 os bispos da Baviera haviam publicado uma instrução dirigida ao clero em que manifestavam a sua oposição às idéias nazistas.[5] A oposição entre a Igreja e o Reich estendia-se ao âmbito escolar: os bispos empreenderam uma dura luta em defesa da escola confessional católica e pela observância daConcordata.[5] Vocaça
Em Aschau começam os primeiros vislumbres da vocação sacerdotal, o jovem Ratzinger se deixa tocar pelos atos litúrgicos do povoado os quais frequenta com piedade, entrementes o avanço do novo sistema político e, com ele, a oposição da Igreja. Em fevereiro de 1937 tem lugar a Kristallnacht em que as juventudes hitleristas apredejam as vitrines das lojas dos judeus. Pouco tempo depois Pio XI promulga a EncíclicaMit brennender Sorge, em que condena as teorias nacional-socialistas. Neste ano seu pai, então sexagenário, aposentou-se e a família mudou-se para Traunstein.[9] Nos anos de ginásio em Traunstein aprendera o latim que ainda era ensinado com rigor, o que muito lhe valeu como teólogo, pode ler as fontes em latim e grego e, em Roma, durante o Concílio, comenta, foi-lhe possível adaptar-se com rapidez ao latim dos teólogos que lá se falava, embora nunca tivesse ouvido palestras nessa língua. A formação cultural com base na antiguidade greco-latina propiciada naquele ambiente "criava uma atitude espiritual que se opunha às seduções da ideologia totalitária"[10] Com o Anschluss e a fronteira da Áustria aberta a família pode ir com mais frequência a Salzburgo e em peregrinação a Maria Plain, ali puderam assistir a diversas apresentações musicais: "Foi ali que Mozart entrou até o fundo da minha alma. Não é um simples divertimento: a música de Mozart encerra todo o drama do ser humano", afirma.[11] Pela Páscoa de 1939 ingressa no seminário-menor em Traunstein, por indicação do pároco, para que pudesse iniciar de forma sistemática na vida eclesiástica. Com a guerra o seminário é requisitado como hospital militar e o diretor o transfere para uns alojamentos vazios das Damas Inglesas de Sparz. A incorporação na Juventude Hitlerista das crianças alemãs tornou-se oficialmente obrigatória a partir de 1938 até o fim do Terceiro Reich em1945. Até 1939 nenhum seminarista havia entrado na organização, mas o regime exigiu que a partir de março a afiliação fosse obrigatória. Até outubro a direção do seminário em que estava se negou a inscrever os seus alunos mas logo não pode mais impedir a sua inscrição na organização. Assim sucedeu também com Jospeh Ratzinger, aos 14 anos.[12] Uma testemunha relata (segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung) que os seminaristas eram uma "provocação para os nazis: se lhes considerava suspeitos de estar contra o regime.[13] Em um documento do Ministério da Educação se lê que a incorporação compulsória às Juventudes Hitleristas "não garantia que os seminaristas realmente se haviam incorporado à comunidade nacional-socialista".[14] Quando fez catorze anos em 1941, portanto, Joseph teve de se incorporar à Juventude Hitlerista [15] e, de acordo com o seu biógrafo John Allen, não era um membro entusiasta.[16] Recebeu gratuidade escolar por pertencer a esse grupo, mesmo não participando de seus encontros, graças à amizade com um professor de matemática filiado ao partido Nacional Socialista, que lhe leccionou no seminário. Por causa da mobilização provocada pela guerra os irmãos Ratzinger deixaram o seminário naquele ano de 1941 e retornaram à casa paterna. [editar]Serviço militar
Em 1943, com 16 anos, foi incorporado, pelo alistamento obrigatório, no Exército Nazista Alemão, numa divisão da Wehrmacht encarregada da bateria de defesa antiaérea da fábrica da BMW nos arredores de Munique. Mais tarde, estará em Unterförhrin e Gilching, ao norte do lagoAmmer. É dispensado em 10 de setembro de 1944 do serviço na bateria antiaérea de Gilching e poucos dias depois é enviado a um campo de trabalho em Burgenland , na fronteira da Áustria com a Hungria e a Checoslováquia para realizar trabalhos forçados, daí é destinado ao quartel de infantaria em Traustein, de onde desertará pouco tempo depois.[17] Com a rendição alemã em 8 de maio de 1945 Ratzinger é recolhido preso no campo aliado de concentração de prisioneiros em Bad Aibling, com mais de quarenta mil prisioneiros. É libertado em 19 de junho, apenas dois meses depois de ter completado os dezoito anos, chegou em casa em Traunstein na noite da sexta-feita do Sagrado Coração.[18] [editar]Vida religiosa e acadêmica
O cardeal Ratzinger numa celebração
A partir de 1952 iniciou a sua atividade de professor na Escola Superior de Filosofia e Teologia de
Freisinglecionando teologia dogmática e fundamental. Em 1953, obteve o doutoramento em teologia com a tese "
Povo e Casa de Deus na doutrina da Igreja de Santo Agostinho". Sob a orientação do professor de teologia fundamental Gottlieb Söhngen, obteve a habilitação para a docência apresentando para isto dissertação com título de "
A teologia da história em São Boaventura"
Recebeu o título de doutor
honoris causa das seguintes instituições: College of St. Thomas em St. Paul (Minnesota, Estados Unidos), em
1984; Universidade Católica de Eichstätt, em
1987; Universidade Católica de Lima, em
1986; Universidade Católica de Lublin, em
1988;
Universidade de Navarra (
Pamplona, Espanha), em
1998; Livre Universidade Maria Santíssima Assunta (LUMSA, Roma), em
1999 e da Faculdade de Teologia da Universidade de Wroclaw (Polônia) no ano
2000 e era ainda Membro honorário da
Pontifícia Academia das Ciências.
[editar]Ascensão a bispo e cardeal
Era um velho amigo de
João Paulo II, compartilhava das posições ortodoxas do Papa e foi um dos mais influentes integrantes da Cúria Romana. A sua posição como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cargo que exerceu durante vinte e três anos, o colocava como um dos mais importantes defensores da ortodoxia católica. O ex-frade
Leonardo Boff,
brasileiro, um dos expoentes da
Teologia da Libertação, teve voto de silêncio imposto por Ratzinger em
1985 devido às suas posições políticas
marxistas.
| Annuntio vobis gaudium magnum; habemus Papam: | Anuncio-vos com grande alegria; já temos o Papa: |
| Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, | O Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor |
| Dominum Josephum | D. José |
| Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem Ratzinger | Cardeal da Santa Igreja Romana, Ratzinger |
| qui sibi nomen imposuit Benedicti Decimi Sexti. | Que adotou o nome de Bento XVI. |
[editar]Primeira declaração
Em resposta a esse anúncio, sua primeira declaração ao público, depois de eleito Papa, segue:
- "Queridos irmãos e irmãs:
- Depois do grande Papa João Paulo II, os senhores cardeais elegeram a mim, um simples humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o facto de que o Senhor sabe trabalhar e actuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em sua ajuda permanente, sigamos adiante. O Senhor nos ajudará. Maria, sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado."
[editar]O nome "Bento"
Primeira bênção de Natal de Bento XVI, 25 de dezembro de 2005
A escolha do nome
Bento é uma provável homenagem ao último papa que adoptou o nome Bento, que foi o italiano Giacomo della Chiesa, entre
1914 e
1922. Conhecido como o "Papa da paz",
Bento XV tentou, sem sucesso, negociar a paz durante a
Primeira Guerra Mundial. O seu pontificado foi marcado por uma reforma administrativa da igreja, possuindo um caráter de abertura e de diálogo. Além disso, Bento XVI sempre foi muito ligado espiritualmente ao
mosteiro da
beneditino de
Schotten, perto de
Ratisbona, na
Baviera.
Alguns analistas, como dom
Antônio Celso de Queirós, vice-presidente da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), relacionaram a adoção do nome
Bento com a atuação de
São Bento de Núrsia(
480-
547), fundador da
Ordem Beneditina e padroeiro da
Europa, o que o próprio papa confirmou após a publicação das explicações sobre seu brasão. Após as invasões bárbaras, os mosteiros de São Bento foram responsáveis pela manutenção da cultura latina e grega e pela evangelização da Europa. A escolha do nome deste Santo representaria, portanto, que uma das prioridades do papado de Bento XVI será a "recristianização da Europa".
[editar]Brasão e lema
"O escudo adoptado pelo Papa Bento XVI tem uma composição muito simples: tem a forma de cálice, que é a mais usada na heráldica eclesiástica (outra forma é a cabeça de cavalo, que foi adotada por Paulo VI). No seu interior, variando a composição em relação ao escudo cardinalício, o escudo do Papa Bento XVI tornou-se: vermelho, com ornamentos dourados. De fato, o campo principal, que é vermelho, tem dois relevos laterais nos ângulos superiores em forma de "capa", que são de ouro. A "capa" é um símbolo de religião. Ela indica um ideal inspirado na espiritualidade monástica, e mais tipicamente na beneditina."(Da explicação do brasão pela Santa Sé)
[21]
[editar]Expectativas como Papa
O grande mote de Joseph Cardeal Ratzinger, nos dias que antecederam o
conclave, foi a questão do
secularismo e do
relativismo. Acreditava-se que o papa Bento XVI seria um grande defensor dos valores absolutos, da
doutrina e do
dogma da Igreja. "
A pequena barca com o pensamento dos cristãos sofreu, não pouco, pela agitação das ondas, arrastada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo até a libertinagem, do coletivismo ao individualismo mais radical, do ateísmo a um vago misticismo, do agnosticismo ao sincretismo",
[22] afirmou durante a missa de abertura do conclave que viria elegê-lo. Acreditava-se também, devido ao nome escolhido (
São Bento é padroeiro da
Europa), que Bento XVI voltar-se-ia para esse continente que, segundo ele, vem caindo no
secularismo(abandono dos valores religiosos e redução de tudo ao
espectro político de
direita e
esquerda).
Para Daniel Johnson
[6], poder-se-ia esperar uma
cruzada rigorosa contra a
eugenia e a
eutanásia, graças a convivência do papa com as mazelas do nazismo, mas que haveria uma abertura ao
ecumenismo, principalmente em relação às
igrejas ortodoxas e
protestantes. Também dizia que o papa deveria entusiasmar os fiéis com suas interpretações da
teologia, animando, por exemplo, os jovens com a
Teologia do Corpo, que vê a sexualidade como uma emanação do amor divino.
[editar]Pensamento teológico
Bento XVI numa audiência privada (20 de janeiro de 2006)
Considerando toda a sua obra literária, as suas atitudes como sacerdote e bispo ao longo da sua vida religiosa, e ainda do que se verifica dos anos passados à frente da
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, Ratzinger possui um pensamento católico ortodoxo que, para muitos de seus críticos, é tido como sendo conservador. Bento XVI tem adotado, no seu Pontificado, propostas semelhantes às do seu predecessor relativos à
moral e ao
dogma católico.
Na
década de 1990 o Cardeal Ratzinger participou da elaboração de documento sobre a
concepçãohumana como sendo o momento da animação. A partir da união do
óvulo com o
espermatozóide temos uma vida humana perante
Deus. Assim, é impossível que a
Santa Sé mude sua posição diante das pesquisas com células estaminais (
células-tronco)
embrionárias ou diante do
aborto. Na verdade esperava-se que o Papa reafirmasse o Magistério constante da Igreja sobre estes e outros temas da atualidade relacionados com a
Moral, a
Ética e a
Doutrina Social da Igreja, o que de fato ocorreu.
[editar]O Pontificado de Bento XVI
[editar]Principais críticas pela imprensa
Selo postal da
Alemanha comemorativo do 80.º aniversário do Papa
Ainda quanto aos crimes sexuais, houve um importante documentário feito pela rede BBC de televisão intitulado
Sexo, Crimes e Vaticano, que acusa o Papa de liderar o "acobertamento de casos de pedofilia". A reportagem do programa examinou um documento secreto interno da igreja (Crimen Sollicitationis), que instrui bispos como lidar com acusações de abusos sexuais cometidos por padres nas suas paróquias.
[24]Bento XVI, como seus predecessores, é contrário à ordenação de mulheres e defende a necessidade de moralidade sexual. Para ele, "a única forma clinicamente segura de prevenir a
SIDA (AIDS) é se comportar de acordo com a lei de Deus", condenando o uso de
preservativos, no que é criticado por muitas correntes sociais. No entanto, é apoiado nestas opiniões por todos os movimentos da igreja, como o
Caminho Neocatecumenal, a
Renovação Carismática, os
Focolares e a
Comunhão e Libertação, por exemplo.
[carece de fontes]A Secretaria de Estado do Vaticano esclareceu que
"os quatro bispos, apesar de terem sido liberados da pena de excomunhão, continuam sem um função canônica na Igreja e não exercem licitamente nela qualquer ministério." e que este "foi um ato com que o
Santo Padre respondia benignamente às reiteradas petições do Superior Geral da
Fraternidade Sacerdotal São Pio X, na esperança de que os beneficiados manifestassem sua total adesão e obediência ao magistério e disciplina da Igreja."
[26]Dentre os quatro reintegrados com o levantamento da excomunhão está o bispo
Richard Williamson, religioso inglês, que dirige um seminário lefebvriano na
Argentina e nega o
Holocausto. O Vaticano tornou público que o bispo Williamson, para ser admitido nas funções espiscopais na Igreja, terá de retratar-se de modo absoluto, inequívoco e público de sua postura sobre a
Shoah, desconhecidas pelo Santo Padre no momento da remissão da excomunhão.
[26][27] [28][editar]Atentados e incidentes de segurança
Durante a
missa de Natal de 2009, uma mulher, identificada como Susanna Maiolo
[30] ultrapassou as barreiras de segurança no início do corredor central da
Basílica de São Pedro, em
Roma e puxou o Papa que acabou por cair.
[31] A mesma mulher teria tentando o mesmo em
2008, mas foi impedida pela segurança do papa.
[32]